Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade

Jornalismo como forma de conhecimento e prática social

Carta de Belo Horizonte – documento final do 12ºENPJ

Os professores, estudantes e profissionais presentes no 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo (ENPJ), realizado em Belo Horizonte-MG, entre os dias 16 e 19 de abril de 2009, assumem a defesa pública do Campo Jornalístico e confirmam a necessidade de manter a exigência de formação universitária em Jornalismo para o exercício profissional. Tal posição está baseada no entendimento de que o compromisso da mídia com a cidadania passa pela atuação independente, plural, ética e responsável dos jornalistas que atuam nos mais diversos meios e espaços de produção editorial. A defesa da formação superior específica é uma garantia de qualificação profissional e, pois, uma possibilidade concreta de assegurar mais autonomia profissional à produção jornalística. A ameaça à exigência do diploma universitário para acesso profissional significa, assim, colocar em risco a ética jornalística, que proporciona uma informação plural e fortalece a democracia. Afinal, o jornalismo é um serviço público e não pode ficar refém de alguns poucos empresários, que têm apenas interesses econômicos ou eleitoreiros para ampliar o controle sobre a mídia brasileira. Os professores ratificam as bases que orientam a proposta do FNPJ apresentada à Comissão do MEC que vai elaborar as novas diretrizes ao ensino universitário do Jornalismo, bem como apostam no trabalho da comissão em apresentar um projeto comprometido com a melhoria da qualidade do ensino na área e na definição de critérios para normatizar a abertura, credenciamento, renovação e avaliação dos cursos de Jornalismo. Os participantes do ENPJ entendem, ainda, que a 1ª Conferência Nacional de Comunicação – marcada para os dias 1º a 3 de dezembro 2009 – é uma conquista inédita da sociedade brasileira na definição de diretrizes e políticas estratégicas de ação para marcar o compromisso da mídia com os interesses públicos, criando mecanismos para que a comunicação não seja usada para atender vontades e vantagens eleitoreiras ou econômicas de alguns poucos grupos empresariais. As três ações acima indicadas – garantia da exigência de formação para exercício do Jornalismo, aprovação de novas diretrizes para o ensino de Jornalismo e a aposta numa Conferência Nacional de Comunicação representativa e norteada pelo interesse público – representam e marcam a confluência de estratégias que podem fortalecer a democracia e as condições ao exercício da cidadania, em que a mídia tem um papel fundamental nas sociedades contemporâneas. Ao entender que o fortalecimento do campo jornalístico pressupõe a organização dos atores sociais – professores, profissionais, estudantes e pesquisadores –, os presentes no 12º ENPJ assumem um compromisso pelo fortalecimento das entidades representativas do setor, realizando atividades públicas (debates e manifestações, forçando o diálogo e cobrança dos gestores responsáveis pelas ações da área), em parceria com os Sindicatos e Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) e a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), dentre outras entidades. Por fim, os professores presentes ao 12º ENPJ ratificam a defesa do Jornalismo e convidam os representantes dos diversos setores, grupos e movimentos da sociedade civil organizada para reforçar um compromisso público dos representantes parlamentares e do judiciário brasileiro (STF) pela manutenção da exigência de formação universitária para o exercício do Jornalismo. Afinal, a defesa da Regulamentação Profissional do Jornalismo é a defesa da própria democracia e, portanto, uma luta de todos.

“A estrela da noite é o jornalismo”

Foto: Janayde Gonçalves
Com esta frase, o responsável pela conferência de abertura do XII Encontro Nacional de Professores de Jornalismo XII ENPJ, o prof. Dr. Alfredo Eurico Vizeu Pereira Junior (UFPE), resumiu seu intuito na noite do dia 17. Revelou também o jornalismo como sendo uma atividade pública com preocupação de mediar os fatos e os acontecimentos cotidianos. “O que o jornalista faz é ajudar as pessoas, a sociedade a compreender o que está se passando.
A trajetória do ensino de jornalismo e a questão das diretrizes curriculares foram temas abordados por Vizeu, que explicou também como funciona a comissão junto ao MEC, assim como as consultas e audiencias públicas.A televisão, na opinião de Vizeu, é hoje o grande veículo de informação. “As pessoas sabem de tudo através da tv, especialmente a tv aberta é muito importante. Ela tem o poder de unir as pessoas num só programa. Passa a ser um lugar de referência, é como se todos os brasileiros estivessem ao mesmo tempo tomando conhecimento do que se passa no país e se relacionando através da televisão”.

O jornalismo enfrenta, atualmente, vários desafios em função das novas tecnologias. “Mas a sociedade, desde os primórdios ,tem necessidade de informação. Por isso nosso jornalista precisa melhorar sua auto estima, tem que encher o peito e dizer que eu sou jornalista, sobretudo diante do papel dele junto à sociedade. Por isso o jornalista tem uma função pedagógica, a função de interpretar o cotidiano e transferir para a sociedade”.

(com blog do 12 ENPJ)

Encontro Regional de Professores de Jornalismo

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Da Redação do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo

Com o objetivo de contribuir com as discussões acerca do ensino e da prática do jornalismo, bem como de fortalecer a campanha em defesa do diploma, será realizado no Recife, no próximo dia 12 de dezembro, o ENCONTRO NORDESTINO DE PROFESSORES DE JORNALISMO.

Será uma jornada cuja meta é uma maior aproximação entre instituições, profissionais e estudantes, buscando novos espaços de articulação e, assim, a troca de experiências, o aprofundamento dos debates e o planejamento de possíveis ações conjuntas.

A “abertura informal” do encontro será na véspera (11 de dezembro, às 20 horas, na Torre Malakoff – Recife Antigo), durante a cerimônia festiva de entrega do 15º Prêmio Cristina Tavares de Jornalismo, organizado pelo Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (SinjoPE). A reunião do dia seguinte está programada para o auditório da Aliança Francesa, com a realização de uma mesa-redonda no período da manhã e de uma plenária, aberta aos relatos de experiência, no período da tarde. A jornalista e doutoranda em Comunicação Adriana Santana, do GJC, fará uma apresentação sobre a atuação do grupo na seção de relatos.

Está previsto, para o encerramento, um ato público em defesa do diploma, marcando o Dia Nordestino de Mobilização – e mais uma atividade de divulgação do livro organizado pela Fenaj (“Formação superior em jornalismo: uma exigência que interessa à sociedade”). Além do esforço do FNPJ e da Fenaj, com suporte local do SinjoPE, os sindicatos dos jornalistas de Alagoas e do Ceará já estão empenhados em garantir uma significativa representação dos respectivos estados, envolvendo ainda as escolas de comunicação.

As inscrições, gratuitas, podem ser realizadas pela Internet em formulário disponível no site da Universidade Católica de Pernambuco. Os participantes terão direito a certificado. Uma Agência de Viagens está encarregada de apresentar opções de hospedagem em condições especiais para os inscritos – além de alternativas de passeios, também com tarifas diferenciadas, para os que permanecerem no Recife durante o final de semana (informações: Stylustur, com Nélida Costa ou 81-3269.6859).

PROGRAMAÇÃO
8h30 Credenciamento
9h Conferência de Abertura – Fazer Jornalismo: formação, prática e perspectivas
. Alfredo Vizeu (PE), conferencista
. José Carlos Torves (RS), debatedor
. Ricardo Mello (PE), coordenador – SinjoPE e FNPJ
10h30 Intervalo
10h45 Mesa-Redonda – O que é ser Jornalista
. Suzana Blass (RJ)
. Alexandre Henrique Lino (AL)
. Cristiane Bonfim (CE)
. Rafael Marroquim (PE)
. Aline Grego (PE), coordenadora – Unicap
12h15 Intervalo
14h Relatos de Experiência
16h Intervalo
16h15 Plenária Final – Diploma e Currículo: dois desafios em pauta
18h Encerramento

Currículos resumidos dos convidados
José Carlos Torves, Jornalista, Sociólogo, Mestre em Comunicação pela PUC-RS, Pesquisador da UNB, é autor do livro “Televisão Pública”. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul. Atualmente integra a diretoria da entidade e também da FENAJ, no Departamento de Mobilização, Negociação Salarial e Direito Autoral. É um militante pela democratização das comunicações.

O Prof. Dr. Alfredo Vizeu tem graduação em Jornalismo pela PUC-RS, com Pós-Graduação na mesma Universidade (1997) e na UFRJ (2002). Fundador da SBPJor. Como pesquisador, recebeu, em 2007, o Prêmio Luiz Beltrão Liderança Emergente (da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação – Intercom). Autor dos livros Decidindo o que é notícia: os bastidores do telejornalismo e O lado oculto do telejornalismo; organizador dos livros Telejornalismo: a nova praça pública e A Sociedade do Telejornalismo. Trabalhou em redações de jornal e tevê de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. É coordenador do Núcleo de Jornalismo e Contemporaneidade do PPGCOM da UFPE, onde leciona.

Alexandre Henrique Lino é jornalista desde 2002. Formado pela Universidade Federal de Alagoas, já trabalhou na TV Educativa e na Assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) e na Companhia Energética de Alagoas (Ceal). Especialista em Docência no Ensino Superior, ensina no curso de Comunicação Social do Cesmac desde 2004. Atualmente é repórter de política em O JORNAL e diretor do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas.
Suzana Blass, jornalista, é especialista em Políticas Públicas e mestre em Ciência da Informação. Formou-se em Jornalismo pela PUC-Rio, ingressando no Jornal do Brasil em 1980, para trabalhar no Departamento de Pesquisa do JB. Em 1984 foi para a Rádio Jornal do Brasil, onde permaneceu até 1993. Chefia a Pesquisa do jornal O Dia há 9 anos. É presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.

Cristiane Bonfim é jornalista formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com experiência em assessoria de imprensa e jornal. Venceu, em parceria com Filipe Palácio, o Prêmio Comércio Justo e Solidário de Jornalismo Impresso em 2008 (ONG Visão Mundial e BID). Foi repórter do jornal O POVO, onde atuou em Política, Brasil e Internacional. Repórter de Economia do jornal Diário do Nordeste, desde 2003, participou da série de reportagens vencedora do Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo 2003 (categoria jornal). É secretária-geral do Sindicato dos Jornalistas do Ceará.

Rafael Marroquim é estudante do 8º período da Universidade Católica de Pernambuco. Ex-coordenador do Centro Acadêmico de Jornalismo da Unicap (CAJU), participou do Programa de Iniciação Científica (PIBIC) e estagiou nas assessorias de imprensa da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) e na Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag). Atualmente, é estagiário na TV Globo Nordeste.

Trabalhos no SBPjor

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O Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade participa, nos dias 19 a 21 de novembro, do 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo (SBPjor), que este ano será realizado em São Bernardo do Campo. Ao todo, serão apresentados seis trabalhos dos integrantes do GJC, entre artigos individuais e comunicações coordenadas. Confira, abaixo, as pesquisas que serão levadas ao encontro:

O telejornalismo como lugar de referência: a redução da complexidade nas sociedades contemporâneas (comunicação coordenada)
Alfredo Eurico Vizeu Pereira Junior/Prof. Dr. UFPE

O fotojornalismo em tempo de convergência digital: entre algumas permanências e outros desvios (comunicação coordenada)
José Afonso da Silva Jr./Prof. Dr. UFPE

Tal como parece ser: a idéia de verdade no telejornalismo contemporâneo
Águeda Miranda Cabral/Doutoranda UFPE

O poder simbólico da notícia: mídia, eleições e escândalo político
Carlos Figueiredo/Mestrando UFPE

Liberdade de imprensa e proteção da privacidade: fatos e opiniões sobre o Mensalão
Ericka de Sá Galindo/Mestranda UFPE

Agendamento e frames da questão climática nos impressos brasileiros
Janayde de Castro Gonçalves/Mestranda UFPE

Seminário Enunciação nas Mídias

O Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE realiza, em 30 de outubro, o Seminário Enunciação nas Mídias, no Centro de Artes e Comunicação (mini-auditório 2).

O evento terá como palestrantes os professores José Luiz Fiorin, da USP, e Antônio Fausto Neto, da Unisinos. Virgínia Leal, do Programa de Pós-Graduação em Letras e diretora do Centro de Artes, e Alfredo Vizeu, do PPGCOM e coordenador deste Grupo de Jornalismo e Contemporaneidade, atuarão como debatedores.

As inscrições são gratuitas e já podem ser feitas por e-mail (ppgcomufpe@yahoo.com.br). Para isso, basta colocar o título do seminário em “Assunto” e informar o nome completo, e-mail e telefone no corpo da mensagem.

Confira a programação:

Seminário Enunciação nas Mídias
Dia 30/10/2008

09:00 – 09:30 – Abertura

09:30 – 12:30 – Conferência 1. As categorias da enunciação nas mídia.  Conferencista: José Luiz Fiorin (USP:FFLCH). Coordenador: Yvana Fechine (UFPE:PPGCOM). Debatedor(a): Virgínia Leal

12:30 – 14:30 – Almoço

14:30 – 17:30 – Conferência 2. Midiatização e os ‘novos regimes’ da enunciação midiática. Conferencista: Antonio Fausto Neto (Unisinos). Coordenadora: Cristina Teixeira (UFPE:PPGCOM). Debatedor: Alfredo Vizeu (UFPE:PPGCOM)

Brasileiros defendem diploma para jornalistas

Fonte: Comunique-se

A maioria da população brasileira defende o diploma para que jornalistas exerçam a profissão. Pesquisa de opinião realizada pela Fenaj/Sensus aponta que 74,3% dos dois mil entrevistados em território nacional disseram ser a favor do diploma, contra 13,9% que defendem a atuação jornalística sem o documento. Os que não souberam e não responderam foram 11,7%.

Questionados se um Conselho Federal dos Jornalistas deve ser criado, para a regulamentação da profissão, como acontece com a OAB, para os advogados, e o CREA, para os engenheiros, 74,8% aprovaram a idéia, contra 8,3% que rejeitaram – 6,5% responderam que depende/talvez e 10,4% não sabem ou não responderam.

Sobre a credibilidade das notícias, 42,7% acreditam no que lêem, ouvem ou assistem, enquanto 41,6% acreditam parcialmente, 12,2% não acreditam e 3,5% não sabem ou não responderam.

“Acho que no geral o resultado da pesquisa é positivo para a imprensa. Fiquei surpreso porque as pessoas acreditam nos jornalistas, o que aumenta o nosso grau de credibilidade e o nosso desafio para ampliar isso. A credibilidade é o maior patrimônio de um jornalista. É ela que nos diferencia dos blogueiros, por exemplo. É o jornalista que pode atestar que a informação é veraz, que pode ser usada”, disse o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murillo de Andrade.

Ele contou que alguns diretores da Fenaj tinham dúvida em fazer a pesquisa já que o debate a respeito do diploma é restrito a veículos especializados, como o Comunique-se, e não aos de grande alcance. “O resultado é natural. O sujeito que tá na rua vai querer o melhor médico, o melhor professor para seu filho, o melhor advogado. Por que vai querer o pior jornalista?”.

Ele já tem em mãos 11 cópias do relatório da pesquisa e vai entregar na tarde desta terça-feira os documentos nos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já que está próxima a votação da exigência do diploma.

A pesquisa foi realizada entre 15 e 19/09 em todo o País, com sorteio aleatório de 136 municípios pelo método da Probabilidade Proporcional ao Tamanho (PPT). A margem de erro é de 3% para mais ou para menos. (23 de setembro de 2008).

Encerramento da primeira audiência pública sobre a obrigatoriedade do diploma

por Guilherme Carréra / Repórter GJC

O secretário adjunto das Relações do Trabalho, André Grandizioli, dá a voz ao professor Alfredo Vizeu, que agradece a iniciativa do Ministério do Trabalho, afirmando que “só com o diálogo se chegará a um consenso sobre a atividade jornalística”. Vizeu também afirmou que ainda há um desconhecimento sobre o que é, de fato, o jornalismo e quais são os seus desafios no século XXI. Jayme Asfora disse que o sindicato e a Fenaj podem contar com o apoio da OAB. “Estaremos presentes nas próximas etapas da luta, para que haja esse avanço institucional”, ratifica. O representante da Associação Nacional dos Jornais, Ricardo Pedreira, embora com argumentos distintos, concorda com o professor Vizeu: “com o debate, vamos chegar a um denominador comum”.

Vizeu (esq) encerra audiência pública/ Foto: Guilherme Carréra

Debate sobre regulamentação do jornalismo

por André Simões/ Repórter GJC

O estudante de Comunicação Horácio, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), deu início ao debate, questionando o assessor da ANJ Ricardo Pedreira sobre a  responsabilidade do jornalista na emissão de opinião dentro do jornal. Para ele, não é necessário ir aos jornais para garantir a liberdade de expressão.

Pedreira se esquiva sustentando a idéia de que todos são habilitados a emitir opinião e exclui a necessidade do uso do diploma.

Outras questões também são levantadas durante a discussão. O diretor do Sindicato dos Radialistas de Pernambuco, Petrônio Lucas, reclama a usurpação da função do radialista, hoje também executada por jornalistas. Defende também que sejam respeitados os espaços de cada profissão, sendo elas independentes entre si.

Concluindo o debate, Ayrton Maciel, presidente do Sindicato de Jornalistas de Pernambuco, rebate a opinião do radialista, afirmando que não há intenção de tirar a função de ninguém nos meios de comunicação. Ratifica que é preciso ter preparo para exercer a profissão jornalística e finaliza dizendo que onde há regulamentação, há um melhor jornalismo.

Ricardo Pedreira diz que qualquer cidadão pode ser jornalista

por Luísa Ferreira / Repórter GJC

Em seguida, assume a palavra o assessor de comunicação da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, que lembra que o tema desse ciclo de audiências não é novidade: “essa é uma discussão que sempre esteve mal encaminhada e que até hoje não foi resolvida”. Ele defende a opinião de que diversas categorias profissionais podem engrandecer o jornalismo, como médicos, juristas, escritores, radialistas etc.

Ricardo Pereira defende que é incompatível, de acordo com o Estado de Direito, a reserva aos meios de comunicação em caráter privativo e excludente, pois de acordo com ele tal reserva “constrange a livre circulação e idéias e de conhecimento”.

Pedreira acredita que essa legislação se revela absolutamente ultrapassada, não conseguindo abarcar a diversidade de informações que nos permeia, especialmente com as grandes transformações nos meios de comunicação que ocorreram a partir dos anos 90, em face das novas tecnologias.

“A lei deve ser útil para a sociedade e em sintonia com as transformações por que ela passa. Se elas estiverem em descompasso com essa sociedade, a mesma lhe dará as costas”, afirma o assessor.

Pedreira argumenta que a regulamentação atenta contra os princípios básicos constitucionais da liberdade de expressão: “a liberdade de expressão e a liberdade de informação são direitos fundamentais do indivíduo. Essa é uma demanda irrefreável nesse nosso estágio da civilização, que inclui a comunicação de idéias, e não se pode reduzir ao portador do diploma”. Defende ainda que a supressão do direito de informar leva ao empobrecimento cultural e que permitir apenas aos diplomados em jornalismo o poder de emitir informações é “uma discriminação com o resto da sociedade”.

“O exercício da profissão prende-se a um acervo cultural de conhecimentos específicos e não deve ser vetado a ninguém”, afirma Pedreira, concluindo ao lembrar que em muitos países como Alemanha, Austrália, Argentina, Bélgica, Áustria, Chile, Estados Unidos e França o diploma não é exigido. “Qualquer cidadão, desde que mostre competência, pode ser jornalista, porque isso é um direito dele”, finaliza.

Vizeu alega que jornalismo não se reduz a regras técnicas

por Sofia Costa Rêgo / Repórter GJC

O professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Alfredo Vizeu ressaltou que o jornalista desempenha a função central de se dedicar a interpretar a realidade social. Para ele, a profissão não deve ser reduzida a “meia dúzia de regras técnicas”, pois o jornalismo consiste em ensino, pesquisa e práticas profissionais.

Professor Alfredo Vizeu / Foto: Guilherme Carréra

O doutor em comunicação considera o jornalismo uma forma de conhecimento que exerce uma função pedagógica, com o objetivo principal de reduzir a complexidade dos acontecimentos para a audiência. “O jornalismo não é uma coisa mecânica, mas sim uma forma de produção de conhecimentos. São os jornalistas que ‘traduzem’ a linguagem complexa dos juristas, por exemplo, fazendo essa mediação com método e rigor. Isso não se aprende numa faculdade de direito ou sociologia”, argumenta.

A respeito das novas tecnologias, Vizeu discorda do conceito de jornalistas multimeios, que produzem textos, fotografias, vídeos e áudios. “Nenhum jornalista vai suportar mais de dez anos sendo um jornalista multimeios, é como se quisessem assobiar e chupar cana. Isso está terminando com vários empregos”.

Ele diz que a liberdade de expressão não é exclusiva para os jornalistas, já que “todos os profissionais podem manifestar suas opiniões nos jornais”, o que é diferente de construir notícias e reportagens, ter um compromisso social com o público e seguir preceitos éticos.

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